Sugeriram que eu escrevesse minha autobiografia. A origem da palavra biografia vem do grego bios, que significa “vida”, e graphein, que significa “escrever”. Se escrever sobre a vida de alguém é tarefa difícil, e porque não dizer constrangedora, vocês podem imaginar como me sinto ao ter que falar de mim mesma!
Nasci em São Paulo, paulistana de corpo e de alma, primeira filha de um juiz de direito, e de uma mãe cheia do amor de Deus, inteiramente dedicada aos filhos e à família. Do meu avô paterno e da minha mãe, herdei o gosto pelas coisas de Deus. Do meu pai, o ouvido musical. Passei minha infância em Bragança Paulista, participando das serestas que meu pai fazia no terraço da nossa casa, acompanhado do carinho dos quitutes que minha mãe servia, esquentando as noites frias da cidade.
Em São Paulo, tive minhas primeiras aulas de piano e também dei a meus pais a primeira decepção... Odiei a professora, que teimava em me ensinar “Pour Elise” de Beethoven controlada pelo compasso irritante de um aparelhinho chamado metrônomo! Não! Queria tocá-la do meu jeito, como o meu coração pedia. “Quem você pensa que é, menina petulante (lembro até hoje desta palavra) que quer modificar o compasso de Beethoven?!?” - berrou meu pai enfurecido. Venci! Despediram a professora, e venderam o piano! Pensei: vou procurar um instrumento mais fácil, e vou cantar músicas que eu possa interpretar a meu modo! Comecei a tocar violão de “ouvido” cantando canções que eu podia interpretar como queria.
Perto dos 50, já com o coração experimentado na dor, a mão do Senhor me conduziu à Igreja Nossa Senhora do Brasil onde conheci o Grupo de Oração do Espírito Santo. Lá, comecei a cantar e a me aprofundar no estudo da Palavra. Meu Deus, tantos anos caminhando às cegas e não tinha sido apresentada ao Espírito Santo? Há quanto tempo este Doce Hóspede da minha alma cantava baixinho, aprisionado em mim?
Com o passar do tempo, meu canto foi se transformando, eu fui sendo moldada por ele, e já não era mais eu que cantava, mas o Espírito cantava em mim! É este o canto que liberta a alma para o amor, cura, consola e abre as portas do coração de Deus para que a nossa oração suba aos céus como suave melodia! Eu vivo para cantar e canto para viver! - TJ